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Objeção de Consciência


 Qualquer estudante, funcionário ou professor pode requerer um ensino ético, em que não haja o uso de animais, através da Carta de Objeção de Consciência.
Este é um direito previsto pela Constituição brasileira e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual o Brasil é signatário. Caso alguma atividade não esteja de acordo com a consciência do indivíduo e não seja obrigatória por lei, este pode objetar-se.
Seja no curso de Psicologia, Ciências Biológicas, Medicina, Veterinária, entre outros, é possível aprender de forma ética, como por exemplo através de modelos, simuladores, filmes e vídeos interativos, realidade virtual, auto-experimentação, estudos de observação de casos reais (em que os animais realmente precisam de cuidados), experiências com células in vitro, uso de cadáveres de animais que morreram de forma não-induzida, etc. Dessa forma, os(as) alunos (as) aprendem sem escravizar os animais.
Esta carta é um recurso muito valioso na luta pela abolição da escravidão.
O ensino ético sequer prejudica o aprendizado. Grandes universidades, e a maioria delas, européias e norte-americanas e universidades de ponta não mais ensinam explorando os animais. De forma alguma os(as) estudantes de lá aprendem menos que o ensino tradicional escravocrata.
Segue abaixo o modelo da Carta de Objeção de Consciência que você estudante poderá entregar a seus professores e professoras solicitando o ensino ético. Editada da Interniche Brasil. Esta carta deve pode ser entregue pessoalmente ao Professor(a), neste caso entregue uma cópia e fique com outra para você (peça para ele(a) assinar a sua cópia). A carta também pode ser entregue por e-mail. Neste caso, envie uma cópia para seu e-mail também. Isto ajuda caso tenha que entrar com uma ação legal requerendo um ensino ético.
[UNIVERSIDADE...]
[CENTRO...]
[CIDADE e DATA]
De:
Para: Professor 
Assunto: Uso de animais para finalidades didáticas (vivissecção)
Caro Professor _____________,
Gostaria de respeitosamente informar-lhe que seria uma violação de minha postura pessoal e ética participar de qualquer atividade que envolva o uso de animais para finalidades didáticas. E isso inclui minha participação nas práticas exigidas pela disciplina de __________________, da __ª fase desta instituição, na qual o Professor propõe o uso de ______________ para estudo de ____________________ em aulas práticas.
Por isso, venho praticar meu direito à Objeção de Consciência (1), garantida pela legislação internacional de direitos humanos, conforme se verifica no artigo 18, primeira parte, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1948, da qual o Brasil é signatário:
“Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”.
O Professor pode perceber que a objeção de consciência faz parte do conjunto de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito à sua dignidade, por meio de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana.
Direito este também redigido pela Constituição da República Federativa do Brasil, Capítulo I Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, de 1988, que afirma:
Artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...],
nos termos seguintes [...]:
VIII – ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Visto que é um direito fundamental do ser humano, que venho exercê-lo agora, não só estou defendendo os direitos dos animais, como também venho defender um direito meu, pois discordo das maneiras como o Professor pretende cursar suas aulas práticas e estou disposta a substituí-las por uma outra metodologia em que não ocorra a escravização dos animais.
Além disso, posso discorrer sobre a Lei 9.605, que entrou em vigor no dia 30 de março de 1998, cujo grande mérito foi o de assegurar os direitos dos animais transformando em crime práticas de vivissecção em todo território nacional, caso não sejam adotados métodos alternativos, conforme seu artigo 32, §1°:
Artigo 32: Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais ilvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º – Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º – A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
E ainda temos A lei federal nº 6.638, de 08 de maio de 1979 que veda a vivissecção (artigo 3°) nas seguintes hipóteses:
a) sem o emprego de anestesia;
b) em centros de pesquisas e estudos não registrados em órgão competente;
c) sem a supervisão de técnico especializado;
d) com animais que não tenham permanecido mais de 15 (quinze) dias em biotérios legalmente autorizados;
e) em estabelecimentos de ensino de 1º e 2º graus e em quaisquer locais
freqüentados por menores de idade.
Posso acreditar então, que o uso de animais abandonados nas ruas, como o Professor pretende, é crime e compreende pena de dez dias a um mês ou multa, conforme o artigo 64, § 1° da Lei das Contravenções Penais.(OBS.: MANTER ESTE ARGUMENTO NO CASO DE ANIMAIS RETIRADOS DAS RUAS, CASO SEJAM CRIADOS EM BIOTÉRIOS, RETIRAR)
Com o advento de materiais de software, realidade virtual, modelos anatômicos fabricados especialmente para o exercício dessas práticas ou até mesmo a utilização de cadáveres quimicamente preservados, muito utilizados pela USP, posso adquirir o conhecimento que a disciplina exige nesse semestre. A USP (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia) adota o método Laskowski, que consiste no treinamento de técnica cirúrgica em animais que tiveram morte natural, a UNIFESP utiliza ratos de PVC nas aulas de microcirurgia, a UNB utiliza simulação computadorizada, a FMUZ utiliza cultivo de células vivas, etc. Existem vários estudos comprovando a seriedade de tais materiais e demonstrando que ao seguir esses métodos, o aluno aprenderá tanto quanto se utilizassem modelos vivos. (OBS.: ENTRAR EM CONTATO COM A WWW.INTERNICHEBRASIL.ORG PARA SABER DOS MODELOS ÉTICOS)
Ao contrário do que muitos pensam, esses materiais não são caros e podem ser conseguidos facilmente. Podem ter um custo mais elevado em curto prazo, mas como são modelos facilmente conserváveis, podem ser utilizados muitas vezes, por todos os alunos que cursarem a disciplina, o que abrange um maior número de pessoas e garante o conhecimento adquirido, já que permite ao aluno praticar novamente o estudo quantas vezes achar necessário.
Acredito que a utilização de animais em aulas práticas de nossa Universidade não deveria ocorrer da maneira como vêm acontecendo. Os animais têm direitos e é preciso respeitá-los. Animais são seres sencientes, capazes de sentir dor, assim como nós humanos. Por isso, eles têm o interesse básico de não sentirem dor e não serem tratados como objeto e propriedade.
Outro motivo relevante é a dessensibilização estudantil, que se caracteriza, principalmente, pelos alunos terem os animais como máquinas e os usarem como lhes convêm. Essa situação é muito comum na(UNIVERSIDADE) e deve sofrer modificações. Cursamos a faculdade de (CURSO) e devemos perceber os animais como criaturas passíveis de dor e desejos assim como nós, e não como meros seres, objetos de estudo e meios para se elevar na carreira profissional. Os animais não podem ser escravizados.
Sei que existem outras pessoas que não concordam com suas aulas práticas, mas que não se expõe por medo de suas represálias ou de professores futuros. Decidi realizar esse pedido formalmente porque sei que meus direitos são assegurados pela Constituição e que não sofrerei penalidades por acreditar nos direitos animais e no fim da escravidão animal, pois seria um equívoco ético se eu não me opusesse à vivissecção.
Afirmo novamente que estou disposto/disposta a procurar estudar o assunto através de algum outro método que não seja este proposto pela disciplina. Solicito encarecidamente que este assunto abordado pela disciplina possa ser acessado através de métodos éticos ou de qualquer outra atividade que não envolva o uso de animais, garantindo assim que minhas convicções éticas sejam respeitadas e que não seja prejudicada no conteúdo da disciplina. Para tanto, me disponibilizo a procurar me informar dos métodos éticos ou atividades que possam vir a substituir tais práticas.
Gostaria de obter uma resposta por escrito, se possível.
Obrigada pela atenção e compreensão,
NOME E ASSINATURA
CONTATO
(1) Bárbara Giacomini Ferrari, em sua monografia Experimentação Animal: Aspectos Históricos, éticos, legais e o direito à objeção de consciência, apresentada à Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino, conceitua “a objeção de consciência como sendo o comportamento individual e não violento de rechaço ao cumprimento de dever legal por motivo de consciência, com intenção imediata de alcançar isenção pessoal, a qual pode, ou não, vir a ser reconhecida pela ordem jurídica mediante a conciliação das normas jurídicas em conflito. (…) A objeção de consciência distingue-se da Desobediência Civil à medida que, por meio desta, primeiramente, busca-se persuadir as autoridades da necessidade de reforma normativa ou de mudança da política governamental. Busca-se, também, convencer a opinião pública, e, assim, trata-se de um recuso pedagógico das minorias para o esclarecimento das maiorias”.
Fonte: Gato Negro

O que é Vivissecção ? por Simone Nardi

Muita gente ouve falar sobre isso mas não faz a mínima ideia do que seja, vamos esclarecer a necessidade urgente de da criação de leis anti-vivissecção.
Vivi é vivo e secção cortar. Vivissecção é cortar um animal vivo. Com o tempo o termo foi abrangendo outras coisas e significa qualquer procedimento onde você pega um animal vivo, induza um determinado estímulo nele e obtém um outro em troca. Existe a vivissecção invasiva e não invasiva. Se eu só colocar um porquinho da Índia,por exemplo, para tirar uma chapa de raio-x, é uma vivissecção não é invasiva e nem pode ser considerada antiética. Mas, por exemplo, se eu pegar um animal e cortá-lo, ou injetar qualquer coisa nele ou fazê-lo tomar uma droga oralmente, isso é vivissecção.
É desse modo que os médicos burlam a Lei de Crimes Ambientais e continuam a praticar seus congressos de pós-graduação com animais, normalmente cães de CCZs. É crime abandonar um cão, deixá-lo sem alimento, água ou abrigo.Mas parece não ser crime médicos e cientistas torturarem animais em nome da falsa ciência, até porque hoje existem centenas de métodos alternativos para os quais eles simplesmente fecham os olhos, bem como os juízes fecham os olhos para as leis de Crimes Ambientais e deixam tal massacre prosseguir.
Se assassinato e tortura são crimes, porque, então, matar e torturar animais “em nome da ciência” ainda é aceitável? A pergunta sequer faz sentido a partir da visão antropocêntrica da sociedade ocidental no século XX: Os animais estão no mundo para serem usados pelos humanos. Dessa maneira, nem se questiona o sacrifício de bichos para uma suposta causa maior, a pesquisa médica. Assim, cruéis e desumanos experimentos em animais são aplicados todos os dias. Nas universidades, em cursos de biologia, veterinária e medicina. Em centros de pesquisa que utilizam verbas públicas e em laboratórios de fábricas de produtos químicos, de limpeza e cosméticos. Milhares de animais morrem anualmente em nome da ciência. São, principalmente, macacos, gatos, cães, ratos e coelhos.
Muitos nomes da ciência, ainda desejam continuar a matança, pois se negam a aceitar as novas mudanças técnicas, tudo para eles gira em torno das vacinas, como se todos os experimentos fossem apenas isso.Esquecem porém que a crueldade deles vai além das meras vacinas, das quais sempre usam como desculpas.
Dissecar animais vivo não cura a humanidade.
Quebrar patas de animais para observar o stress não cura a humanidade.
Queimar olhos de coelhos não cura a humanidade.
A humanidade é seu próprio câncer, quando se recusa a aceitar que os animais sentem dor e que nós não temos qualquer direito sobre eles, a não ser aqueles que nos outorgamos.
São hipócritas aqueles que ainda hoje dizem serem necessário o uso dos animais para o aprendizado de cirurgias, exames, perfumes, novas armas e até mesmo na alimentação. São hipócritas porque sabem a verdade e mentem para si mesmos e para o mundo. São fracos porque não querem mudar, tem preguiça de mudar, mas tempo virá em que, nas palavras de Tom Regam, os laboratórios de pesquisas terão uma placa escrita:
“Proibida a entrada de animais”
Antropomórficos e antropocêntricos, os animais são livres e precisam ser respeitados, apesar de vocês, isso um dia se tornará realidade

China caminha para abolição de testes em cosméticos após inesperada decisão


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Em puma jogada que surpreendeu a muitos, a Agência de Alimentos e Drogas da China (AADC) anunciou que tem planos para dar fim, no próximo verão, ao requerimento compulsório de testes realizados em animais para cosméticos fabricados dentro do país.
Segundo grupos de defesa animal, estima-se que só no território chinês 300 mil coelhos, ratos, entre outros animais, sejam usados para testar cosméticos no período de um ano. Com o novo projeto, companhias chinesas produtoras de cosméticos não definidos como “de uso especial” (como xampus ou perfumes) serão autorizados a pararem de testar seus produtos em animais e usar os dados já arquivados (para matérias primas catalogadas) e testes que não utilizem animais validados pela União Europeia (para novas substâncias), o que ativistas de direitos animais acreditam que salvará milhares de vidas.
Segundo Troy Seidle, diretor da divisão Be Cruelty Free (Esteja Livre de Crueldade) da Humane Society Internacional, essas notícias da China são um grande marco na campanha contra crueldade e podem constituir um divisor de águas significante no esforço global para dar fim aos testes que a indústria de cosméticos realiza em animais ao redor do mundo.
A AADC também declarou que talvez o novo sistema seja ampliado para incluir também produtos importados, o que a HSI afirma que removeria barreiras comerciais e permitiria que companhias livres de crueldade vendam seus produtos na China.
Coelhos utilizados em testes para cosméticos. (Créditos foto: Brain Gunn / IAAPEA)
Coelhos utilizados em testes para cosméticos. (Créditos foto: Brain Gunn / IAAPEA)
Na China, a obrigatoriedade dos testes em animais não tem sido apenas um destino terrível para os animais em laboratórios, como é também um problema para companhias que querem expandir o seu mercado, mas não estão dispostas a comprometer seus valores acerca dos testes em animais. Tem sido um problema também para empresas que afirmam ser livres de crueldade, mas enganam consumidores por permitir testes em animais para obter permissão de venda no mercado chinês.
Para consumidores que escolhem seus produtos porque eles são livres de crueldade, é um grande problema quando algumas empresas, como a Urban Decay, tiveram que aprender no erro depois de enfurecer milhares de consumidores com o anúncio de expansão para o mercado chinês. Outras empresas, incluindo Avon, Estee Lauder e Mary Kay, criaram dificuldades para si mesmas quando alegaram falsamente ser livre de crueldade, o que resultou em um processo judicial.
A UE, Israel e Índia proibiram o uso de animais em testes para a indústria de cosméticos, o que também provou ser problemático para algumas empresas. O requerimento para testar em animais em alguns mercados e a proibição do teste em outros deixam empresas com um dilema sobre aonde vender. Testar em animais é também desnecessariamente forçado e leva a testes duplicados com cobaias, mesmo quando seus produtos já são vendidos com segurança em outros mercados. Felizmente, parece que a tendência é se afastar dos testes em animais nos testes de segurança.
“Esse avanço significa que a última agência reguladora que requeria testes em animais está pronta para aceitar alternativas para a maioria dos cosméticos. Enquanto nós esperamos detalhes e mais confirmações do projeto, há potencial para transformar a situação para empresas de cosméticos éticas que até agora se recusavam a vender na China em prol de manterem seus nomes na lista da Leaping Bunny, que barra cosméticos cujos ingredientes foram testados em animais. Nós também agradecemos o papel da Comissão Europeia que nos informou que ofereceu suporte técnico e conselhos para a China nessa área”, disse Michelle Thew, chefe executiva da Cruelty Free International.
O programa da Leaping Bunny requer que empresas cujos produtos levam sua logo se prometam a não testar em animais em nenhum estágio da produção e permanecer abertos para auditorias independentes em prol de permanecerem certificados. O programa é gerenciado pela Coalition for Consumer Information on Cosmetics (Aliança para a Informação dos Consumidores de Cosméticos) nos Estados Unidos e no Canadá, enquanto que a União Britânica para a Abolição da Vivisseção o gerencia no Reino Unido e a Aliança Europeia para o Fim dos Experimentos em Animais na Europa. Mesmo produtos que são classificados como “não testados em animais” ou “livres de crueldade” podem ter tido seus ingredientes ou estágios de sua produção testados em animais por meio de empresas terceirizadas.
O plano da AADC ainda está sendo revisado e tem algumas ressalvas, mas ainda assim é um grande passo no caminho para o fim dos testes em cosméticos em escala global. Enquanto isso, grupos de apoio aos direitos dos animais juraram continuar seus trabalhos juntos ao governo chinês em prol de uma proibição absoluta.
Por Julia Troncoso (ANDA)

Associações de defesa dos animais contra baratas-robôs

Uma empresa norte-americana está a lançar aquele que diz ser o primeiro cyborg disponível no mercado: um mecanismo que é implantado numa barata e que permite controlar os seus movimentos. A PETA não gostou da ideia.
A associação de defesa dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) quer parar a venda do RoboRoach, um mecanismo criado plea Backyards Brains que é implantado nas baratas com uma pequena cirurgia e que permite controlar os seus movimentos durante alguns minutos e alguns dias.
A empresa considera que este mecanismo não é um brinquedo, mas sim um kit educativo que ensinará as pessoas a implantar elétrodos nos cérebros das baratas e despertará o interesse pelas neurociências.
A associação de defesa dos animais, pelo contrário, considera que o kit promove o exercício da atividade veterinária sem licença e democratiza as experiências em animais, tendo já feito queixa junto do procurador geral do Michigan.
Para implantar o RoboRoach é preciso deitar a barata em água gelada, para a “anestesiar”. Depois, os elétrodos são colocados, sendo necessário fazer um buraco no tórax da barata, para inserir um fio, e cortar-lhe as antenas. A partir daí, através de uma aplicação de telemóvel, é possível controlar os movimentos do animal. Toda a operação está demonstrada em vídeo no site da Backyards Brains.
No entanto, tal como é explicado no site da empresa, isso só será possível durante alguns minutos, uma vez que a barata se adapta rapidamente. Por isso, será necessário fazer uma pausa de cerca de 20 minutos, para que esta esqueça e a estimulação volte depois a funcionar. A experiência durará entre 2 a 7 dias, sendo depois necessário substituir a barata por outra.
*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.
Fonte: DN Portugal

Simulação de reações químicas em computador pode tornar os testes em animais desnecessários

O Prêmio Nobel de Química 2013, anunciado há um mês, foi dado a Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel, cientistas que conseguiram usar a física quântica para simular processos químicos no computador. Dias depois, fotos de cães da raça beagle usados em estudos pelo Instituto Royal, em São Roque (SP), ganharam a mídia nacional e provocaram na sociedade questionamentos sobre a necessidade de testes de laboratório em animais. Os dois fatos, aparentemente desconexos, estão profundamente relacionados. Pois são os modelos computacionais de reações químicas e biológicas como os criados pelo trio de pesquisadores que podem, um dia, dar fim ao uso de cobaias em experimentos.
Na União Europeia, a proibição de cosméticos e produtos de higiene testados em animais começou há quase 10 anos, banindo primeiro os experimentos dos produtos, depois dos ingredientes, em 2009, e dando um fim na comercialização de qualquer produto do tipo em março deste ano. A mudança deu origem ao projeto colaborativo Notox, que se dedica a criar modelos de computador capazes de substituir as cobaias tradicionais. Em vez de submeter os bichos aos produtos, seriam as máquinas que dariam o aval de segurança.
Os programas desenvolvidos pela iniciativa usam como referência uma série de testes feitos com células humanas produzidas em laboratório. As reações do tecido orgânico são traduzidas em complexos modelos tridimensionais e matemáticos que serão consultados por pesquisadores à procura de sinais de reações tóxicas.
Para Elmar Heinzle, coordenador do projeto, o desafio é criar um modelo que mostre melhores resultados do que os próprios animais – a não ser que o computador se mostre mais útil que camundongos e cães, mudar o hábito científico pode ser difícil. “Historicamente, esses dados vêm de testes com animais, então os pesquisadores estão acostumados a isso”, admite.
Embora os bichos tenham uma fisionomia diferente da humana, eles fornecem resultados completos, produzidos por um organismo inteiro. Já os programas de simulação de células humanas ainda têm a limitação de realizar testes ao nível molecular. “Se imaginarmos que o corpo é um prédio, e os tijolos são as moléculas que formam o corpo, a gente só consegue trabalhar com alguns tijolos”, reconhece Hugo Verli, professor de bioinformática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os computadores são muito bons em descrever a arquitetura, mas ainda falham em prever como as diferentes peças se encaixam.
Além disso, o trabalho é imenso. Exemplo disso é um projeto realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Eles precisaram recorrer à computação distribuída para estudar o comportamento de proteínas, pois um computador sozinho não daria conta da tarefa. O Folding@home usa o tempo ocioso de quase 300 mil computadores somente para simular a dobradura das moléculas. Até mesmo 30 mil consoles de PlayStation 3 foram recrutados. Como o programa leva meses para recriar segundos da movimentação dos peptídeos num modelo tridimensional, não há como prever quando o projeto vai conseguir descrever a ação de medicamentos ou o comportamento do câncer.
Vidas e lucro
A bioinformática teve início há 50 anos e passou a ser adotada pela indústria farmacêutica como forma de aumentar a taxa de sucesso dos fármacos desenvolvidos em laboratório. O impacto do computador ocorre antes dos ensaios pré-clínicos com animais. As máquinas se encarregam de planejar os compostos em nível atômico e selecioná-los para testes in vitro. Mas o destino final da experimentação, lamentam os pesquisadores, ainda são os animais, pois os programas não são capazes de simular o processo biológico com perfeição. “Estamos, no mínimo, a décadas de montar um modelo com essa complexidade”, estima Verli.
Até lá, os computadores podem não substituir completamente os bichos, mas já começam a poupar muitos deles. Com o fim do método de tentativa e erro, a tendência é que cada vez menos cobaias sejam necessárias para encontrar um remédio ou eliminar uma toxina. A procura por compostos para o desenvolvimento de vacinas, por exemplo, teve o prazo reduzido de décadas para alguns meses graças à vacinologia reversa. O método computadorizado já é usado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a criação de imunizantes contra a esquistossomose, a leishmaniose e a Campylobacter, bactéria que causa aborto bovino.
O genoma do organismo é sequenciado, traduzido por um algoritmo e um programa identifica os trechos que têm potencial de induzir uma resposta imune. Em um conjunto de 8 mil genes, apenas 20 acabam chegando aos tubos de ensaio – e um número ainda menor nos testes com camundongos, cães e macacos. “O desenvolvimento experimental é enorme, em todos os sentidos. Consegue fazer experimentação mais assertiva”, avalia Jerônimo Conceição Ruiz, líder do grupo de biossistemas da Fiocruz.
Além de apressar a experimentação, o planejamento racional com base em modelos de computador representa uma economia de milhões para as indústrias cosmética e farmacêutica. Essa pode ser a bandeira que vai incentivar os laboratórios a investir nas cobaias virtuais.
Toxicidade
Não foi a pressão pública e sim os altos custos com testes de laboratório que levaram um grupo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, a desenvolver uma técnica computacional capaz de prever a toxicidade de substâncias. “Podemos usar a computação para avaliar a correlação da facilmente obtida informação in vitro com a custosa informação de toxicidade in vivo, que geralmente usa modelos animais”, explica Jun Huan, diretor do Laboratório de Bioinformática e Ciências da Vida Computacionais da universidade.
O sistema usa como base uma lista de 300 compostos químicos encontrados em pesticidas e que já tiveram o potencial tóxico medido em experimentos. Os pesquisadores criaram um modelo de aprendizado artificial que identifica uma função matemática para descrever o padrão dos dados e prevê o efeito das substâncias com base nas semelhanças que elas têm com fórmulas já conhecidas. A taxa de acerto do programa é de 70%.
Os pesquisadores não se arriscam em dizer se o método pode substituir os testes tradicionais com cobaias, mas afirmam que a estratégia tem grande potencial para otimizar o trabalho dos cientistas e economizar muito tempo e dinheiro nos laboratórios. “Usando computação, seremos capazes de integrar dados de várias fontes, de identificar importantes características in vitro e acelerar os testes de toxicidade”, acredita Huan.
Fonte: Em

Cientistas apoiam fim de teste de cosmético se lei permitir alternativa

Duas das maiores sociedades científicas do país decidiram se posicionar a favor da abolição dos testes de cosméticos em animais desde que a legislação mude para que uma alternativa possa ser comercializada no Brasil.
Trata-se de um kit de pele de origem humana.
“Ele pode ser produzido a partir de qualquer pedaço de pele que sobre de uma cirurgia e que, do contrário, seria jogado fora. Uma das fontes mais abundantes são pedaços do prepúcio [pele que recobre a ponta do pênis] das cirurgias de fimose ou de circuncisão”, explica Marcelo Morales, do Instituto de Biofísica da UFRJ.
Morales é secretário da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e secretário-geral da Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), órgãos que sempre saem em defesa da necessidade da pesquisa com animais quando se trata de testar novos fármacos ou procedimentos médicos.
No caso dos cosméticos, porém, Morales afirma que a abolição dos testes faz sentido “porque existem métodos validados cientificamente, com resultados confiáveis”.
O grande obstáculo, diz ele, é a lei 9.434, de 1997, que proíbe a comercialização de produtos derivados de seres humanos no Brasil. “Ela foi criada para coibir o tráfico de órgãos, mas acabou gerando uma barreira para essa tecnologia alternativa.”
Mesmo se fosse importado, o kit tem validade de poucos dias, o que inviabilizaria seu uso considerando o tempo de passagem por alfândega e inspeção sanitária.
“Já existem grupos de pesquisadores brasileiros desenvolvendo versões desse kit com apoio do CNPq [órgão federal de fomento à pesquisa].”
As células dos fragmentos são multiplicadas em cultura, gerando um análogo das camadas naturais de pele.
“Mas a barreira que nos vemos é justamente a da comercialização. São pequenos imbróglios que o Congresso poderia resolver facilmente.”
Articulação
Morales já se reuniu com o deputado federal Ricardo Izar Jr. (PSD-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Animais, para expor o problema.
Izar Jr. disse  que é favorável ao plano e que a reunião incluiu outros deputados, o ministro da Ciência, Marco Antonio Raupp, e Helder Constantino, da ONG Humane Society International.
“Podemos e vamos trabalhar juntos para modificar a legislação”, afirmou.

Universidade americana cria cadáver sintético para pesquisas científicas


O projeto poderá substituir o uso de animais vivos em testes de medicamentos e cadáveres humanos nas escolas de medicina

A Universidade de Medicina do Arizona acaba de divulgar um projeto que visa modificar a forma com que pesquisas científicas e testes de medicamentos são conduzidos: o cadáver sintético. Criado em conjunto com a Escola de Medicina de Tampa, o corpo sintético possui um coração capaz de bombear sangue e um fígado que produz a bile.
De acordo com o laborátorio SynDaver, que construiu o cadáver, ele possui os tecidos e órgão humanos sintéticos mais sofisticados e pode substituir o uso de animais vivos em testes de medicamentos e cadáveres humanos nas escolas de medicina.
“Nós queremos garantir que o ensino da medicina não seja apenas o básico, mas também visionário. Queremos preparar os estudantes para as próximas décadas”, afirma o reitor da Universidade do Arizona, Dr. Stuart Flynn.
Fonte: Administradores – O Portal da Administração

Instituto Royal encerra atividades em São Roque

O Instituto Royal encerrou suas atividades em São Roque (SP). A informação foi divulgada em comunicado enviado nesta quarta-feira (6) pela assessoria de imprensa do laboratório. "Em assembleia geral extraordinária realizada entre seus associados, o Instituto Royal, por meio de seu Conselho Diretor, vem a público informar a decisão de interromper definitivamente as atividades de pesquisa em animais, realizadas em seu laboratório de São Roque", diz a nota.
O laboratório foi invadido por um grupo de ativistas na madrugada do dia 18 de outubro. Do local, foram levados todos os cachorros da raça beagle e alguns coelhos que eram usados em testes. Os ativistas acusam a empresa de maus-tratos aos animais, o que o Instituto Royal nega.
A ação dos ativistas suscitou debates sobre o uso de animais em todo o país.
No comunicado à imprensa, o laboratório relaciona o encerramento das atividades às "elevadas e irreparáveis perdas" que sofreu com a ação dos ativistas, o que significou "a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas". A empresa também atribui a decisão à crise na segurança, que coloca "em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores".
O comunicado informa que a decisão de encerrar as atividades não afeta a unidade Genotox, que tem sede em Porto Alegre.
Segundo o laboratório, os funcionários já foram comunicados sobre o desligamento. O laboratório empregava 85 pessoas, entre médicos veterinários, farmacêuticos, biólogos e biomédicos.
Criado em 2005, o Instituto Royal é uma organização de sociedade civil de interesse público (Oscip) e está regularmente credenciado junto ao Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI),  responsável por regulamentar o uso de animais em pesquisas no país.
"O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente", conclui a nota
Veja a íntegra do comunicado do Instituto Royal
"Em assembleia geral extraordinária realizada entre seus associados, o Instituto Royal, por meio de seu Conselho Diretor, vem a público informar a decisão de interromper definitivamente as atividades de pesquisa em animais, realizadas em seu laboratório de São Roque.
Tendo em vista as elevadas e irreparáveis perdas e os danos sofridos em decorrência da invasão realizada no último dia 18 - com a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas -, bem como a persistente instabilidade e a crise de segurança que colocam em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores, os associados concluíram que está irremediavelmente comprometida a atuação do Instituto Royal para dar continuidade à realização pesquisa científica e testes mediante utilização de animais.
Por este motivo, o Instituto decidiu encerrar suas atividades na unidade de São Roque.
A interrupção acarretará o desligamento de funcionários, todos já comunicados da decisão. Mantém-se, por ora, o Comitê de Ética formado por colaboradores do laboratório, que conta com veterinários, biólogos e membros da Sociedade Protetora dos Animais, conforme a legislação vigente. A decisão, por ora, não afetará a unidade Genotox, de Porto Alegre, onde não se faz experimentação animal.
Com o intuito de preservar a integridade dos animais remanescentes que ainda estão sob seus cuidados, o Instituto Royal tomará as providências necessárias junto aos órgãos regulatórios competentes, para assegurar que continuem sendo dados a eles tratamento e destinação adequados.
Desde 2005, o Instituto Royal realiza testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia entre outros. Com essa decisão, interrompe-se o trabalho do único Instituto laboratorial do Brasil capacitado e regulamentado para exercer este tipo de pesquisa. A partir de agora, qualquer empresa interessada na realização de testes para registro de medicamento será obrigada a realizar suas pesquisas fora do País, até que outro laboratório seja credenciado pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal) para essa atividade.
Todos os testes desenvolvidos no Instituto Royal atendiam aos princípios de boas práticas de laboratório (BLP) e também às normas para cuidados dos animais do CONCEA, estando também regulamentadas por protocolos internacionais, tais como o da European Medicines Agency e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
O Instituto Royal acredita que as ações violentas ocorridas no dia 18 de outubro são resultado de dois fatores complementares: as inverdades disseminadas de forma irresponsável - e por vezes oportunista - associadas à falta de informação pré-existente. As consequências dos atos advindos dessa equação resultaram não somente em prejuízo para a instituição, que fecha suas portas, mas também e mais gravemente para a sociedade brasileira, que assiste à inutilização de importantes pesquisas em benefício da vida humana.
É inquestionável o direito de todo cidadão ou instituição expressar suas opiniões e propor à sociedade brasileira o debate sobre temas de interesse público. Não se pode anuir, contudo, com as atitudes de violência que cercaram os episódios envolvendo o Instituto Royal. Uma sociedade organizada e civilizada não pode aceitar que a pesquisa científica seja constrangida por grupos de opinião que preferem o uso da força e da violência em detrimento das vias institucionais e democráticas para travar debates.
O ambiente de insegurança gerou – e continuará gerando - prejuízos para a ciência brasileira, na medida em que não assegura aos cientistas um ambiente institucional adequado para o desenvolvimento de pesquisas cujo objetivo, em última análise, é o de salvar vidas. A consequência deste cenário de hostilidade é o desestímulo à fixação e permanência das melhores mentes científicas em nosso País.
O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente."

CONCEA - 52% dos institutos que usam bichos podem ser descredenciados


Ministério ameaça cassar autorização de laboratórios que não enviaram relatório

Uma lista do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, aponta que 195 (52%) das 375 instituições que usam animais em pesquisas no Brasil estão com relatórios de prestação de contas atrasados. Segundo o órgão, esses laboratórios tiveram até o último sábado para regularizar a situação, caso contrário terão as atividades suspensas.

As instituições foram advertidas e podem ser até descredenciadas.

As informações são da última atualização do arquivo, publicada em 16 de outubro no site do Concea. Apenas 40 empresas não precisam mandar o documento, pois ainda não completaram um ano.

O Concea, porém, admite que há muitos e-mails com relatórios que ainda não foram lidos e que o fará o mais rápido possível.

Esse problema foi questionado por alguns laboratórios, como a Escola de Educação Física e Esporte da USP (Universidade de São Paulo), que aparece como devedora dos relatórios de 2011 e 2012. A instituição afirma que está em dia com a documentação. Entre as empresas em atraso, 130 (34,6%) não enviaram os relatórios de 2011 e 2012. Outras 48 (12,8%) devem relatório de um desses anos.

O Concea exige que os institutos prestem contas anualmente sobre 12 itens, entre eles a quantidade de cobaias, descrição de acidentes e mortes e empresas beneficiadas pelos estudos. Entre os 14 laboratórios irregulares está a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. A direção disse que "neste momento não irá se pronunciar sobre o assunto".

Os laboratórios do Instituto Royal ""em São Roque e Porto Alegre"", estão com a documentação regular. Em São Roque, no mês passado, ativistas invadiram o local e levaram beagles usados como cobaias.

A lei prevê que a fiscalização dessas empresas seja feita por órgãos dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Saúde, da Educação, da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente.

O Concea não informou como será feita nem quantos profissionais participarão da fiscalização.

'Uso de animais para estudar doenças e testar drogas para uso humano é um grande erro'


Editora Globo
Foto: Rama/Wikimedia commons

Especialista em cardiologia nuclear e diretor do Comitê Médico Pela Medicina Responsável, John Pipp afirma que é possível parar com os testes agora

O uso de animais em testes científicos e pesquisas acadêmicas poderia ser interrompido hoje mesmo sem nenhum ônus para o avanço científico: essa é a opinião do Dr. John Pippin, diretor de negócios acadêmicos da associação americana PCRM (Sigla em inglês para Comitê Médico Pela Medicina Responsável), sobre o uso de animais em pesquisas laboratoriais e acadêmicas.
O PCRM tem mais de 150 mil médicos e civis associados nos EUA e, desde 1985, defende uma medicina mais responsável e ética, e isso inclui a divulgação da importância da nutrição preventiva - em vez da prática de receitar drogas aos pacientes para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados através de uma alimentação correta, por exemplo - e o fim do uso de animais em testes laboratoriais e pesquisas acadêmicas, entre outras coisas. De acordo com o PCRM, os resultados de testes com animais são tão imprecisos e incompatíveis com a maneira como o organismo humano reage que não faz sentido continuar submetendo os animais a eles. Para eles, não funciona, e se não funciona, não deveria estar sendo feito mesmo que não tivéssemos outras alternativas.
Em entrevista à GALILEU, John Pippin, especializado em cardiologia nuclear com mais de 70 artigos científicos publicados, falou sobre a ineficiência desse tipo de teste, as possíveis alternativas e sobre o caso do Instituo Royal.
GALILEU: Qual é a sua opinião sobre o uso de animais em pesquisas acadêmicas e testes laboratoriais?
Minha posição é que é errado sob todos os aspectos. É errado por razões éticas, e eu posso dizer isso, com autoridade porque eu já participei de pesquisas que testavam em animais, então posso dizer que, mesmo nas mãos de pessoas que cuidadosas e carinhosas, é horrível, cruel, e muitas vezes fatal para os animais que são usados nesse tipo de pesquisa. Essa é a questão ética.
A questão científica é que está provado que o uso de animais para estudar doenças humanas e testar drogas para uso humano antes que eles sejam mandadas para teste clínicos em pessoas é um grande erro. Os resultados geralmente têm uma aplicabilidade muito baixa em seres humanos, e é um sistema que claramente está demonstrado que não é eficaz, não prevê os resultados em organismos humanos, consome grandes recursos financeiros e produz poucos, quando nenhum, benefícios para pacientes.
Do ponto de vista científico, é errado porque não funciona. E do ponto de vista moral, é errado porque é cruel e fatal para os animais nos laboratórios.
Então porque os testes ainda são largamente usados por pesquisadores?
Há três grandes razões pelas quais isso continua e elas são dinheiro, dinheiro e dinheiro. As pesquisas em animais para doenças humanas, ao menos nos EUA, acontecem em universidades e ambientes acadêmicos, e essa pesquisa é paga por dinheiro público. Esses institutos gastam todo ano cerca de 13 bilhões de dólares em pesquisas usando animais. Obviamente isso é muito dinheiro, muitas grandes universidades nos EUA - Harvard, Yale, entre outras - ganham muito dinheiro para conduzir essas pesquisas. E sem esse dinheiro, carreiras e construção de infra-estrutura estariam em perigo. Há grande resistência no uso de animais em pesquisa porque é lucrativo.
Por que o governo continua a colocar dinheiro em algo que não funciona?
Eles não concordam que não funciona: eles acham que as vezes funciona, ou às vezes não funciona e que se esperarmos o suficiente, coisas que não funcionam agora funcionarão no futuro. Isso é nonsense. No caso dos EUA, por exemplo, o povo está pagando por essas pesquisas merece ver resultados que beneficiem sua saúde e bem-estar, e isso não está acontecendo.
Outra razão pela qual o governo continua a gastar dinheiro nisso é que as pessoas que tomam essas decisões são, eles mesmos, pesquisadores que usam animais nos testes, gente que acredita nisso. É por isso que pesquisa animal para doenças humanas continua.
Editora Globo
Ativistas contra testes em animais (Foto: David Navalha/Flickr/Creative Commons)
E na indústria farmacêutica? Se o senhor afirma que esses testes são ineficientes para prever resultados em organismos humanos, por que eles continuam sendo feitos?
As empresas farmacêuticas estão interessadas em apenas uma coisa: ter os remédios aprovados pelo FDA (Foods and Drugs Administration, a vigilância sanitária dos EUA) para que sejam usados em humanos. A maneira mais fácil de fazer isso é dar ao FDA resultados de pesquisas com animais, porque o FDA está acostumado a ver resultados baseados nesse tipo de pesquisa, e é através de testes em animais que eles frequentemente aprovam testes em humanos.
E apesar disso, o próprio FDA já admitiu que testes em animais não são capazes de prever o comportamento do organismo humano diante de uma droga. 92% de todas as drogas testadas com sucesso em animais, e depois em humanos, falham de alguma forma [fonte]. Isso não é ciência, é bruxaria. Não deveria ser financiada e apoiado pela FDA, é uma fraude, e uma fraude que acontece por causa de dinheiro. Companhias farmacêuticas estão entre as maiores dos EUA, as mais ricas. O frustrante é que o FDA sabe que não faz sentido.
E quais são as alternativas mais eficientes ao teste com animais?
O princípio fundamental de achar alternativas melhores à política falida de usar animais é usar um sistema que se aplique a humanos.
Usando tecidos humanos, você consegue resultados que se aplicam a humanos, e você não precisa adivinhar se o que aconteceu com o rato também se aplica a humanos. É possível usar um tecido do fígado, colocar em contato com uma droga pra ver se vai causar algum câncer. Há vários tipos de tecidos possíveis, mas as amostras mais avançadas são ambientes tridimensionais, como partes de cânceres ou partes de tecido humano. E a área mais promissora nesse sentido é a de células tronco.
Hoje é possível obter células tronco que podem ser programadas para se tornar qualquer tecido que você queira a partir de outros tecidos. Dá pra criar corações, fígados, pulmões. Já foram criadas bexigas humanas a partir de células tronco. Isso mostra o potencial de usá-las para estudar o efeito de drogas e químicos em tecidos humanos. Há também métodos baseados em software: são vastos bancos de dados armazenando informações sobre o comportamento do organismo humano em geral e o que se observou até hoje que funciona e não funciona. É possível observar como uma droga influencia nos genes de alguém e pode vir a causar uma doença no futuro, ou como certos genes podem gerar uma pré-disposição para algumas doenças caso interajam com drogas. Empresas farmacêuticas já usam isso, porque eles sabem que funciona. Mas eles também usam testes em animais porque é isso que o FDA está acostumado a receber.
Se eu entendi bem, sua opinião então é que, se não funciona, não deveríamos nem nos preocupar em substituir o processo atual com alternativas, mas sim parar completamente?
Exatamente. Quando as pessoas me perguntam "mas se não usarmos animais, o que vamos fazer? Temos que fazer algo, não podemos dar remédios pras pessoas sem testá-los", minha resposta é "Olha, se não funciona, consome seus recursos, usa dinheiro do contribuinte e prejudica as pessoas, como drogas como o Vioxx fizeram [Vioxx foi um anti-inflamatório testado com resultados inócuos em animais, mas que depois, no mercado, chegava a triplicar o risco de morte por ataque cardíaco nos pacientes. Foi retirado de circulação nos EUA em 2004], então temos de parar!
Mesmo que não façamos nada alternativo, vamos parar. Não está funcionando". E aí eu digo que, poxa, ainda por cima há sim alternativas se a gente quiser usá-las.
Você ouviu falar do caso do caso do laboratório brasileiro que foi invadido por ativistas?
Dos beagles, não é? Sim, esse caso foi bastante repercutido nos EUA. Me entristece que as pessoas sejam obrigadas a agir fora da lei para fazer aquilo que acham que é certo. Essas pessoas são corajosas. Elas estão se arriscando por algo que sabem que é justo e não têm ninguém para protegê-las. Os beagles têm gente como elas.
Em quanto tempo você acha que os EUA vão parar de fazer testes em animais?
Acho que passamos do ponto em que pessoas discutem se pesquisas animais são abordagens científicas confiáveis. Todo mundo entende que não é. Gente como eu entende que essas pesquisas não têm valor nenhum, e outras pessoas da área acham que a abordagem é falha mas que de vez em quando ela traz alguns resultados úteis, e portanto têm que continuar fazendo.
Já passamos da parte em que provamos que testar em animais não é certo. Já estamos no caminho em direção a achar maneiras melhores de fazer isso Porque essa indústria não tem ética e só se preocupa com votos e dinheiro, eu diria 10 a 15 anos. E isso é porque demora um tempo até convencer a FDA que eles estão fazendo algo errado, mesmo com o comitê de ciência e o congresso dizendo que eles estão fazendo tudo errado.